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Monday, February 13, 2017

Voltarei?

2014 data do ultimo post neste lugar que sempre me foi muito querido. Onde andei este tempo todo, perguntam vocês. Por aí. Sem destino, sem raízes por mais que a vontade de me acorrentar a um lugar seja cada vez maior. 
Nada mudou. Continuo a mesma alma possuidora de devaneios tão meus, tão iguais a tantos outros que já por aqui coloquei. Mas tem dias em que bate aquela vontade de recomeçar de novo. Ai a saudade, palavra tão tipica portuguesa e que é mesmo isso. Saudades deste lugar, saudades das pessoas/amizades que fiz e perdi o rasto, saudades de mim.


Voltarei?


Thursday, July 24, 2014

A alma do mundo

Como me doem as dores do mundo. Sou espectadora de uma realidade que não queria ver acontecer. Apetecia-me cada vez mais ter uma alma de eremita para me regufiar dos males do mundo.
 Que estamos afinal a fazer às vidas, às pessoas? Tanto progresso, tanta tecnologia, tanta maldade semeada pelas esquinas do mundo que me faz recear o viver. Será justo o viver, quando a morte nos entra todos os dias pelas janelas da informação? Oh mundo cruel que ceifas com o egocentrismo do homem tudo o que de bonito há!
E as crianças? oh pah crianças e animais partem-me o coração. E os adultos perguntam-me vocês? Pois esses que de desenrasquem, não são seres indefesos a quem é suposto protegermos e não deixarmos ser vitimas de um mundo cada vez mais mau. O que estamos a fazer ao mundo?

Monday, June 30, 2014

Escuridão

No escuro da noite vislumbro os vultos invisíveis. 
Ofegante escuto-os. 
Que dizem? Não sei.
Que me querem? Não sei.
Nas sombras detecto formas, serão imaginação, realidades?
A mente prega partidas ao inconsciente, cria expectativas, pinta a vida das cores que mais gostamos.
Espera-se. Espera-se. Farta de esperar. Pelo hoje, pelo amanhã, pelo dia que nunca chega.
Assim passamos a vida, em constante espera.
E o amanhã ainda está tão longe.


Wednesday, June 11, 2014

Tem dias

Tem dias...
De sorrir e encarar a vida com sorriso no rosto.
Tem dias...
Que sentimos o peito oprimido pelo desgosto.
Tem dias...
Que me sinto capaz de conquistar o mundo.
Tem dias...
Que as lágrimas não param nem por um segundo.
Tem dias...
Que sou alegre e menina,
Tem dias...
Que me sinto tão pequenina...
Tem dias...
que os sonhos invadem o meu ser...
Tem dias...
Que penso em ti mesmo sem querer.
É tem dias assim,
apenas porque só sei viver assim.

LCarmo   10/06/2014

Wednesday, June 4, 2014

Era apenas uma casa velha...

Era uma casa velha que teimava em manter-se de pé mesmo com as marcas dos anos visíveis na sua estrutura. Constrastava de forma pitoresca com os prédios que pareciam querer engoli-la,  como se fossem monstros devoradores. Era uma casa velha sim, mas ainda se via os traços de uma beleza já muito perdida. Assemelhava-se a uma velha senhora, outrora muito bela mas que o passar do tempo enrugou as carnes e entristeceu o olhar. 
Do seu interior escutava-se risos cristalinos, risos que só as crianças proporcionam. E de repente a casa já não parecia tão velha assim, de repente aquele som que saía pelas frinchas expostas dava-lhe um ar delicioso. As fragilidades de outrora dissipavam-se perante o som das crianças e tal como tudo o que é velho, quando pincelado com alegria e jovialidade fica logo com um ar mais fesco e sedutor. Era apenas uma velha casa, mas uma casa com alma que é muito mais importante que uma casa bela. 

Tudo o que é belo inevitavelmente envelhece e tudo o que é composto de alma e essência permanece para sempre jovem. 


Tuesday, June 3, 2014

Porta

Fechamos a porta. Julgamos que a mesma se encontra bem trancada, mas eis que surge o dia em que deixamos uma ligeira frincha aberta. Entras-te sem te convidar, queria que permancesses mas em vez disso sente-se a aragem da porta que deixas-te entreaberta. Não leva muito tempo que torne a fechar a porta, simplesmente porque as frinchas nos deixam mais vulneráveis e eu não quero nem posso ser vulnerável.

Thursday, May 29, 2014

Não há amor como o primeiro



Cresci a ouvir estas palavras. Um sem fim de vezes que as li escritas em páginas alheias. Se é verdade que não há amor como o primeiro, será isso justo perante todos os outros amores ? E afinal qual é o primeiro amor? Qual merece ser chamado assim? O amor que nutrimos pela nossa mãe? O amor do nosso animal de estimação? O amor dos nossos irmãos? Qual é afinal o amor maior do que todos? Qual é a primazia atribuída a um amor que aniquila todos os outros? Ou será que de cada vez que amámos olhamos para esse amor como se fosse o primeiro? De certa forma faz sentido pois quando amamos alguém é sempre pela primeira vez. Pode ser o primeiro amor da vida, do ano, do mês, da semana, não interessa. Simplesmente porque naquele momento é o nosso primeiro amor, porque é a primeira vez que estamos a amar. Primeiro amor? A vida propicia-nos muitos primeiros amores, ou pelo menos assim espero. Caso contrário eu teria esgotado o meu logo nas primeiras duas décadas de vida...











Sunday, May 25, 2014

E renasço....

Renasci outra vez consumida pela saudade das palavras partilhadas neste lugar que me é tão querido.  Três anos depois eis me aqui prostrada diante desta porta tanto tempo encerrada.  Convido vos a entrar. Está aí ainda alguém?  Sim mereci ser esquecida que vos deixei órfãos das minhas palavras. Ponderei nascer de novo em vez de renascer. Mas não sou capaz.  Não posso esquecer o que aqui fui,  não seria eu...deixo-vos decidir.  Os que já me conhecem, conhecem de hoje e de outrora. Os que cá vêem ter  pela primeira vez vão-me conhecer agora, se tiverem curiosidade podem ler o meu passado. Como posso sequer ter imaginado em começar do zero? A vida não pode ser apagada, assim como eu não posso apagar o que aqui escrevi. Esta sou eu para o bem e para o mal... espero fazer novas amizades e reatar outras tantas que nunca esqueci mas que a vida me afastou delas.


Thursday, June 7, 2012

Saudades

As saudades que matam... o tempo que parece não chegar nunca. Os desejos que temos e guardámos para momentos futuros. E se os momentos não chegarem nunca mais? E se as páginas da nossa vida se completam sem darmos conta? Amanhã, amanhã. Tudo é relegado para amanhã. E se o amanhã não existir? Poderei eu voltar a renascer?

Saudades de mim, saudades de ti, saudades do que já vivi, saudades do que ainda irei viver?




Friday, March 16, 2012

Dar e receber

Podemos julgar que não temos nada que dar aos outros. No entanto sempre que damos um pouco de nós mesmos, quer seja num abraço inesperado, numa mão dada, ou num simples gesto de afecto damos bastante de nós mesmos. Avançámos  a toda a velocidade numa  via rápida diretamente ao coração dos outros. E a sensação com que ficamos depois é tão deliciosamente bela que todos os bens do mundo nunca poderão proporcionar. Posso não possuir riquezas para partilhar com quem me rodeia, mas todos os dias levam um pouco de mim! Bela

Tuesday, February 7, 2012

Semente

Quando plantei a minha  semente em ti fiquei à espera pacientemente que ela crescesse. E eu vi-a  crescer, vi a semente florescer. E fiquei feliz por saber que a minha semente era tão bem cuidada, estimada, amada. Sentia uma certeza que nunca iria ser descuidado o seu tratamento para com a minha semente que entretanto floresceu. Mas não cuidaste suficientemente bem da minha semente. Agora ela não é mais verde e colorida, agora é apenas um resquício do que já foi. Aos poucos foi privada da luz que precisava para viver, foi-lhe retirado os mimos, desculpa dizer-te  mas não soubeste cuidar da minha semente. 
Julguei que sabias que enquanto a minha semente vivesse dentro de ti eu viveria também. E aos poucos eu vou morrendo dentro de ti, aos poucos foste-me matando dentro de ti. Por isso hoje ao abrir a janela, arranquei de dentro de mim as sementes que ainda me restavam e esperei que o vento as levasse. Espero que cada uma delas encontre o caminho onde se alojar, espero que crescem na alma de quem me cuide, de quem me ame.... já que tu não me soubeste cuidar. E pior que uma semente que não chega a florescer, é uma semente que morre por falta de cuidados.

Monday, January 30, 2012

Momo & Eu

Estes últimos dias os meus dedos sentiram saudades do suave teclar das letras nestas páginas que nada têm de igual às letras que componho por obrigação. Saudades sim das letras que fluem por sua livre vontade, sem restrições, sem limites, sem censura. Saudades deste meu lugar, ligeiramente abandonado mas nunca esquecido. 
As semanas, dias, horas sucedem-se estonteantemente de uma forma rápida. É bom dizem-me vocês, sim é, mas esse passar de semanas, dias e horas nem sempre encerra momentos de conquistas, felicidades. Para quem espera por noticias esse tempo será porventura angustiante, mas para quem deste lado o vive, é mais uma sucessão de episódios que nem sempre encaixam uns nos outros. Continuo a mesma alma sonhadora, vivendo mais no mundo da lua do que no real.Tempo, esse eterno aliado e ao mesmo tempo inimigo. Já no livro de Michael Ende, o tempo esse eterno inimigo da humanidade. 
E porquê falar de Michael Ende? Porque este foi um dos primeiro autores a despoletar em mim esta vontade e prazer de ler. Lamento que esta história não seja muito conhecida por cá entre os nossos jovens, por uma pesquisa rápida que fiz quer-me parecer que nem sequer existe versão portuguesa. Lamento que assim o seja, pois é uma história deliciosa e que nos ensina que no fundo por vezes só precisamos de quem nos escute, não precisa de nos dar a solução, mas apenas que esteja ali para ouvir-nos. Estou a relê-lo neste momento, cada virar de página é uma supresa enorme tal como foi da primeira vez. Revejo-me naquela sala de estar, num apartemento em Dortmund, sentada no chão à chinesa com a Momo a dar-me a mão e arrastar-me consigo nas suas aventuras...



E com isto resta-me dizer-vos, estou de volta! Até quando não sei, por tempo indeterminado, sem promessas de vir cá todos os dias, mas certa de que provavelmente houve alguém desse lado que sentiu a minha falta!


Wednesday, January 4, 2012

E o mundo gira

"O mundo gira e continua a girar. O nosso esforço de acompanhar-lhe o ritmo torna-se um esforço em vão, ansiámos por chegar lá, mas lá aonde? Não sabemos, só queremos é ir mas as nossas pernas não andam. Queremos que nos peguem no colo e nos depositem lá, naquele lugar, que julgámos esconde as soluções dos nossos problemas. Estanha utopia que nos cega, julgamos a resposta estar noutro lugar, mas esquecemo-nos que a verdadeira resposta essa está dentro de nós! 
E enquanto esperamos que os outros sejam a chave para abrir as nossas portas, continuaremos enclausurados em qualquer uma das esquinas da vida, ao mesmo tempo que a vida essa foge lentamente de nós. Um dia quando quisermos agarrar essa vida de volta a mesma recusa-se a voltar a ser nossa. Aí então finalmente compreendemos que o verdadeiro aconchego será sempre o que encerramos dentro da nossa alma." Lcarmo

Friday, December 30, 2011

Free Hugs


Um Feliz 2012 para todos... a ver se retomo as emissões mais assiduamente por estes lados! :)

Sunday, December 4, 2011

Menina Poeta



Onde andas menina poeta? Perdida entre alfabetos, entre voltas de páginas.
Escondes o teu sorriso singelo entre pinturas que afogam as tuas lágrimas.
Na partilha, encontras a força,
Nos sorrisos, o encorajamento,
A mão invisível que te guia, que faz de ti menina e moça,
Os segredos que escondes, as mãos que não chegas a dar,
Procuras apenas a quem abraçar,
Procuras apenas quem te dê o alento.
Sorri menina poeta, sorri
Porque no dia em que matares o teu sorriso, é sinal que eu também morri!



3 de Dezembro de 2011

"Dedicado a quem ontem semeou sorriros em meu rosto... Obrigada!"

Tuesday, November 8, 2011

Mariquitas



A nossa Mariquitas deixa-me deliciada. As agendas dela conseguem transmitir-nos aquela doçura, aquele regresso às mais doces lembranças que temos dentro de nós. Impossível não ficar deliciada com a perfeição, o esmero e a confiança que deposita no que faz. Sabem qual é o segredo? Eu conto, tudo o que faz, faz com amor, e isso nota-se no resultado final. E já dá para ver que a pequena Francisca segue os passos da mãe! Obrigada por tudo querida, pela paciência, dedicação e espero que esta agenda traga tanta sorte como a do ano passado! Beijo grande!

Thursday, October 20, 2011

Folhas Soltas

Da minha janela vejo o vento soprar. A sua força arranca as folhas das árvores. Apenas algumas caem, diria que a sua vontade seria de as arrancar todas de uma vez. Mas não, de cada vez que passa não consegue ultimar a sua vontade. A sua perseverança em derrubar os obstáculos faz-me lembrar a conjuntura que vivemos actualmente. Há os que sopram e derrubam tudo à sua passagem e há os que se agarram com todas as forças para não serem levados pelo vento.
Eu sou uma dessas folhas, pequena, frágil. Mas a minha força permite-me colar-me à estrutura mãe. A minha força é o meu amparo. Sei que se o vento me arrancar andarei à deriva por tempo indeterminado à espera de pousar em qualquer porto seguro. E neste momento eu não sei o que é mais seguro, se embarcar numa viagem num desses barcos que oscilam ao sabor do vento, ou permanecer agarrada ao tronco da minha árvore. Sei que provavelmente um dia destes, o vento soprará mais forte do que as minhas forças e serei derrubada. Até esse dia colo-me a este tronco que me mantém viva. Do alto da minha árvore, vejo as minhas companheiras rodopiarem, assemelhando-se a uma espécie de dança inevitável. Quero-lhes bem, e sei que mesmo que sejamos arrancados sem fé, terá que haver sempre um lugar que acolha estas folhas soltas. E resta não perderem a esperança e não se deixarem varrer para uma valeta da vida. Estas folhas soltas, uma por uma, ainda poderão construir as páginas de um livro.

Wednesday, October 19, 2011

Investigadora

Tenho uma alma investigadora. Desde bem pequena sempre me seduziram os mistérios, os desafios. Por vezes imaginava que no futuro seria uma espécie de detective ao género do Poirot. Daí que sempre que na faculdade é-me pedido para debruçar sobre um tema, fico delirante e só tenho vontade de trabalhar nele.
Ando embrenhada numa investigação sobre o papel das mulheres na primeira Guerra Mundial para a cadeira de Literatura Inglesa. Estou seduzida com cada linha que leio, cada pedaço de informação que me chega. Cada vez estou mais certa que sou realmente feliz entre livros, palavras, descoberta de autores.Estes depoimentos, estas histórias muitas duras, cruéis, são o espelho de uma época. Época essa que deixou marcas na humanidade bem mais profundas que as ditas crises que nos rodeiam. Às vezes queixamos-nos, sem sabermos muito bem do quê. Porque acreditem, haverá algo pior do que vivermos em ambiente de guerra ? Vidas ceifadas, interrompidas.... estou ainda no início da leitura, mas creio que escolhi o tema certo para mim.
Por mim vivia sempre assim, nariz enfiado nos livros. Afinal de contas já que tudo o resto mais cedo ou mais tarde acaba por nos falhar, a mim pelo menos espero ainda restar-me a companhia de um bom livro!

Sunday, October 16, 2011

Armazenamento

"O ser humano tem esta capacidade de armazenar em pequenos recantos da sua mente, singelos momentos que julga por vezes esquecidos. A memória essa matreira, gosta de abafar momentos, sobrepondo outros a esses que nos são queridos. Então aí de repente, numa qualquer esquina da vida, encontramos o caminho que nos conduz de volta a esses recantos disfarçados de paredes. Abrimos a porta, espreitamos. Sucede então uma cascata de recordações que não param de brotar da nossa alma, e pensamos, como posso ser tão feliz a recordar o passado? E a resposta é tão evidente que nos tira o chão. Simplesmente porque o vivemos em pleno. E mesmo sem o sabermos o passado sempre esteve ali, disposto a voltar-nos a abraçar "

Wednesday, October 12, 2011

Leituras

"Megulho nestas leituras cujo sabor de novidade invadem cada uma das páginas em que repousam os meus olhos." Bela

Friday, October 7, 2011

Ementa

A ementa que escolhi para o meu último dia de férias, vai ser composta de palavras, teatro, cenários, textos... uma aglomerar de pequenos prazeres que me são por demais queridos. A ementa ideal para quem ainda continua a depositar todas as esperanças na melodia das palavras. :)

Thursday, September 29, 2011

Sonhos adiados

"Há alturas na vida que os sonhos deixam de ter o mesmo significado para nós. Ou porque não somos capazes de os realizar, ou simplesmente porque naquele momento da vida não há lugar, nem tempo para eles.  Então aí nada mais resta do que virarmos costas, esquecermos-nos deles no fundo do baú e seguir em frente. E um dia quando menos esperámos esse baú abre-se e os nossos sonhos tornam-se inevitavelmente ainda mais nossos. Não os abandonámos, simplesmente os deixámos amadurecer. Pois os sonhos tal como nós, quando atingem a maturidade sabem bem melhor.  Bela"

Tuesday, September 13, 2011

Leituras e Conclusões

Sempre fui seduzida por histórias de mulheres, que de forma real ou imaginada por um qualquer autor,  são capazes de marcar uma época, enaltecer o que temos ainda de melhor dentro de nós. E esse melhor transcende o físico, é algo que não é visto a olho nu mas cujas proporções podem fazer o mundo girar. Todos conhecemos exemplos desses, sempre os houve, espero que sempre os haja. 
Neste meu período de férias deixei-me seduzir pela escrita de Ken Follett, nunca antes tinha lido nada dele. Fizeram-me companhia o "Pillars of the Earth" e o "World without End" e em ambos vejo de forma tão bela, o retrato de uma geração de mulheres muito diferentes de nós. Mulheres cujo lugar era apenas destinado a ser a submissão aos pais, e posteriormente aos maridos. Mas Ken encontrou uma forma de através das suas palavras enaltecer a força destas mulheres, que mesmo sofrendo os horrores de uma vida em plena idade média, conseguiram mudar o mundo que as rodeava. 
É esta garra que vejo ali retratada em parágrafos, a seguir a parágrafos. É esta garra mesmo tantos séculos depois vejo ausente em tantas almas, e o enaltecer deste seres femininos que a meu ver só temos a aprender com elas, cai por terra quando a nossa vizinha do lado sofre de atrocidades que afinal não são tão idade média assim. A verdade é que hoje em dia julgámos que somos todos muito evoluídos, muito instruídos, mas continuámos à mercê do ideal de que uma vez submissas no passado, submissas para sempre. E eu pergunto-me será que vale a pena?


Obviamente que recomendo as duas obras. E neste momento não conseguiria dizer qual das duas mais gostei. São ambas fenomenais, vale a pena a leitura.

Meio do percurso



Há um ano atrás a minha vida mudou. Não aquelas mudanças que se almejam toda uma vida, mas a mudança que sempre esteve arquivada num lugar esquecido dentro de mim. A verdade é que cada vez acredito mais que tudo tem um tempo certo na vida, e há um ano atrás o ingressar num curso universitário depois de tantos anos sem estudar foi o melhor que me aconteceu.

Agora aqui estou, ansiosa que o segundo ano comece, ansiosa por segurar nas minhas mãos o caminho que quero traçar neste meio do percurso. É por vezes a vida faz-nos assim esperar pelo rumo certo, esperar que o nosso coração e mente esteja preparado para agarrar com todas as forças o que nos espera ao virar da esquina. Bela

Tuesday, September 6, 2011

Dança de Palavras

As nossas experiências retratadas em terceira pessoa remetem-nos para uma vivência muito mais amena. As palavras que queremos pronunciar têm outro impacto nas vozes das nossas personagens. Os escritores criam as personagens à sua imagem e semelhança, embora esta semelhança seja muitas vezes camuflada por aspectos físicos que fazem os leitores abstrair-se da realidade que ocultam. Mas a verdade é que eu disseco esses mesmos personagens, consigo adivinhar o que está por trás daquela personagem principal e a maior parte das vezes dou conta que faço exactamente o mesmo. E as palavras têm uma outra melodia quando tentámos encontrar um outro sentido para elas. Daí o prazer que se encontra numa leitura para além das razões óbvias de lazer é este desvendar dos segredos camuflados por entre esta dança de palavras.

Friday, September 2, 2011

Vencedor

A angustia instala-se dentro do meu peito sempre que sou obrigada a fazer algo que vai contra os meus princípios. Entristece-me estar à mercê das circunstâncias e não poder levantar-me e sair porta fora. Poderemos justificar, sentir menos o peso dos nossos actos se repetirmos vezes sem conta que se dependesse de nós as coisas não seguiriam este curso? Provavelmente esta minha alma rebelde recusa-se a ser manipulada por seres sedentos de ânsias de singrar a qualquer custo. Mas de um lado as minhas convicções, do outro as minhas obrigações e eu e esta minha maneira de ser numa eterna luta diária. Quem sairá vencedor?

Tuesday, August 30, 2011

Arrogâncias

E a sua altivez reduz-se perante a eminência de solicitar ajuda alheia. A arrogância é um peso grande a carregar, e constato que a pessoa que tão depressa é arrogante mais depressa ainda é obrigada a descer do pedestal. Mas desenganem-se se pensam que se vislumbra alguma réstia de humildade. Não, mesmo assim a humildade encontra-se engolida pelo elevado grau da sua prepotência. Mesmo assim acha que continua a dominar a situação e os outros têm a obrigação de estar lá para quando se dignam chamar. E eu sorrio ironicamente para dentro, porque pior que ser-se arrogante, é ser-se um arrogante convencido que se é muito inteligente. E nessas alturas mais do que nunca acredito que o destino tarda, mas não falha.

Friday, August 26, 2011

O Primeiro Beijo

Sei que o texto é demasiado longo e só quem ama a leitura poderá compreendê-lo. 
 
 
Autoria: Clarice Lispector

O Primeiro Beijo

São Paulo, Ed. Ática, 1996

Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme; enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.
Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como “data natalícia” e “saudade”.
Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.
Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato.
Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria.
Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu não vivia, eu nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam.
No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.
Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do “dia seguinte” com ela ia se repetir com meu coração batendo.
E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.
Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.
Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler!
E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: “E você fica com o livro por quanto tempo quiser.” Entendem? Valia mais do que me dar o livro: “pelo tempo que eu quisesse” é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.
Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.
Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar… Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada.
Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.
Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.