Tenho estado em falta com quem tem seguido o "pequeno conto" que comecei a escrever aqui no blog. A história não está de forma nenhuma esquecida. Tenho-a alimentado dentro de mim com muito carinho. Algo que decidi alterar foi o título, se até aqui fazia sentido que se chamasse "O momento" agora já não faz mais, pois momento foi aquele primeiro que me inspirou para escrever o resto do conto. Por isso decidi mudar o título para "A duas vozes" pois a história é contada pelos personagens principais, um de cada vez. Ora conta ele um bocado, ora conta ela. Achei que este título assentava que nem uma luva. Agradeço que me digam se gostaram ou não. Deixo-vos mais um trecho, irei começar a identificar "a voz" que narra no inicio de cada texto para facilitar a leitura. Não sei até onde esta história vai. Vou moldando-a dia a dia, hora a hora, minuto a minuto. Se soubessem a infinidade de cenários, de opções, de mundaças que já revi para estes personagens com certeza se ririam de mim. Mas acreditem ou não, eles têm vida própria, falam através de mim e eu limito-me a colocar em palavras o que eles dizem dentro de mim... então aí vai mais um bocadinho, com carinho, para quem acompanha esta história de perto. Bela
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ELA
"Aquela foi a primeira de muitas noites. A sua presença tornou-se um hábito na minha vida. Todos os dias conseguia me surpreender de qualquer forma, ora era uma mensagem, ora era um telefonema inesperado. Enchia me de atenções e tenho que admitir que eu me sentia lisonjeada. O meu coração batia mais forte de cada vez que o via, era uma sucessão de "borboletas na barriga" sem fim, chegando até a ser incomodo enquanto o meu coração não se acalmasse. Sentia me uma adoslecente na sua presença. Sentia me outra pessoa que não era eu. Por vezes ao olhar me no espelho não reconhecia os olhos brilhantes, o sorriso rasgado. Estaria eu irremediavalmente apaixonada? Só esse pensamento me causava um certo desconforto pois sentia me insegura em relação ao sentimentos dele. Se por um lado era o mais estremoso possível, por vezes, sentia-o distante, evasivo, como se entre nós existisse um muro que ainda não tinha sido totalmente destruído. Nunca em momento algum me tocou, ou mostrou intenções de fazer. Aliás eu sentia o seu afastamento físico a cada dia que passava. Se no inicio ainda me tocava na mão, brincava com meu cabelo, me dava abraços espontâneos, aos poucos e poucos isso foi desaparecendo. Estas atitudes faziam me sentir insegura, como se estivesse a tentar me equilibrar numa corda, ora inclinando para cá, ora inclinando para lá. As suas mudanças de humor faziam-me recear por vezes até onde esta situação iria. Estaria eu, iludida, vendo o que não estaria ali para ver? Mas então qual a razão de tanta atenção, tantos mimos, que faziam o meu coração disparar, faziam me sentir coisas que pensei não mais sentir? Em todos os seus gestos tentava ler nas entrelinhas. Teria eu a coragem suficiente de dar o primeiro passo? E o medo da rejeição, que faria eu caso ele me rejeitasse? Nunca soube lidar muito bem com nenhuma forma de rejeição.
Por vezes estavamos demasiados próximos fisicamente, tão próximos que facilmente meus lábios encontrariam os dele. Numa sala de cinema, quando me dava a mão, tecia caricias, entrelaçando os seus dedos nos meus. Quando saíamos para jantar, fazia questão de colocar um braço sempre por cima do meu ombro. Nas nossas saídas para dançar, sentia a sua presença física de tal forma que chegava a doer. Um gesto mais sensual, um toque mais fora do lugar e eu ansiava por aquele momento mágico que tardava em chegar. Quanto mais tempo teria eu que aguardar, para meus lábios poderem finalmente encontrar o caminho para os dele, podendo assim saborear aquele momento em pleno? Quanto tempo mais?"
PS: SE ALGUÉM SENTIR CURIOSIDADE EM LER OS CAPÍTULOS ANTERIORES PODEM ENCONTRAR AQUI:
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