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Tuesday, December 2, 2008

Para ti mãe Cá

Dizem que mãe há só uma. Não é verdade. Eu tenho duas. E quanto sou afortunada. Tenho minha mãe que foi de quem nasci e quem amo muito, mas tenho uma mãe de coração, que me criou. Uma segunda mãe. Amo ambas de forma diferente. Mas dependo de ambas igualmente. Ambas fazem parte de mim e são as responsáveis pelo que me tornei hoje. Estou triste. A minha mãe Cá está doente. Doente. Nunca me passou pela cabeça que aquela mãe tão meiguinha e querida pudesse ser tão frágil.


Vejo-me pequena, sentada num banquinho de madeira, sentindo suas mãos nos meus cabelos me fazendo as tranças. Vejo me correndo pela casa fora, ouvido-a reclamar que ia cair, que me ia magoar. As risadas minhas e do meu primo ecoando pela casa.... muitas vezes me esquecendo que aquela não era a minha familia verdadeira, que tinha outra mãe, outro pai, mas que me amavam igualmente.
Lembro me daquele dia de temporal, ventos ameaçadores, chuva torrencial, de tal forma violenta a tempestade que derrubou a cerejeira. lembras-te Mãe Cá? De como nos ralhas-te por subirmos para os galhos da árvore.... por fazer da árvore o nosso castelo onde lutavamos contra inimigos imaginários? Eu lembro me tão bem....
Tenho medo. Tenho frio. Tenho medo que me sejas também roubada. Tens de ser forte. Nesse teu corpo velhinho e frágil tens que encontrar forças para continuar. Por mim. Por ti. Por nós todos. Pois és o nosso pilar. Sem ti nada seria como é. Não suportaria perder mais alguém. Não nesta altura. Promete me que vais lutar... que vais encontrar em ti forças para superar isto. Sei que a idade pesa. Mas ainda é cedo. Muito cedo. Queremos tua presença mais tempo. Ainda tens tanto para ver. Prometes que vais lutar? Amo.te muito. bela

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