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Tuesday, June 23, 2009

Na Birmânia ficou o meu coração

"Hoje queria vos falar deste livro. É a história de uma filha que parte em busca do Pai desaparecido. É um livro envolvente que nos apresenta uma história de amor, daqueles amores que existem mesmo nos livros. É a história de uma filha que lhe é apresentado um Pai que nunca conheceu realmente . Um Pai que amou, um Pai misterioso... sem dúvida uma excelente leitura... É uma obra que é vendida pelo Círculo de Leitores e sinceramente ainda não a encontrei á venda em mais nenhum lado.... Quem estiver curioso, pode ler o primeiro capítulo no link que está no final deste post... Espero que gostem da minha sugestão. "Bela


Jan-Philipp Sendker

Lançamento Exclusivo
Em busca do pai. Júlia Win, uma nova-iorquina de ascendência birmanesa, viaja até à terra do pai desaparecido. Da capital norte-americana a Rangum, são outros os ruídos, os cheiros, as crenças, o contar da vida. Numa decadente casa de chá o velho U Ba revela-lhe a história de amor de Tin Win. Júlia, a filha, percebe finalmente a dádiva do amor.

Tin Win desapareceu. Partiu sem nada dizer. Na verdade ele nada podia justificar, aquele não era o seu lugar de pertença... Inconformada, Júlia, a sua filha americana, decide procurá-lo regressando à Birmânia. Entre as coisas de Tin Win encontra uma carta de amor dirigida a uma Mi Mi... Quem é esta mulher? Foi por ela que partiu?

Autor alemão, jornalista, correspondente do «Stern» na América e na Ásia, Jan-Philipp Sendker alicia-nos a uma dupla viagem. Ao mesmo tempo que percebemos a diferença de ambientes e as dificuldades de adaptação de Júlia, acompanhamos a sua viagem de reconhecimento. O reconhecer do pai de que nada sabia. Tendo mantido os primeiros vinte anos da sua vida em segredo, Tin Win lega à filha uma história – a sua história de amor. Abandonado pela mãe, vítima da superstição, cego aos dez anos, Tin Win encontrara com Mi Mi uma invulgar cumplicidade. A maldade dos outros separa-os, mas sempre viveram um com o outro, um esperando pelo outro. Curioso é que seja a sua filha a descobrir a eternidade de tal amor.

Fonte: http://www.circuloleitores.pt/cl/artigo.asp?cod_artigo=100882

Uma Pequena espreitadela:

«Está a rir-se. Como é bela! Digo-o sinceramente. Acredita no amor, Julia?
«Não, claro que não me refiro à paixão arrebatadora que pensamos ser para toda a vida, que nos leva a fazer e a dizer coisas de que mais tarde acabamos por nos arrepender, que nos faz crer não sermos capazes de viver sem uma determinada pessoa, que nos deixa transidos de medo perante a ideia de virmos a perdê-la. Não, não me refiro a esse sentimento que em vez de nos enriquecer nos empobrece, porque queremos possuir aquilo que não podemos possuir, porque queremos prender aquilo que não podemos prender. Também não me refiro ao desejo carnal e ao amor- próprio, esse parasita que tanto gosta de se fazer passar por desinteressado.
«Refiro-me ao amor que é capaz de fazer com que os cegos vejam. Ao amor que é mais forte do que o medo. Refiro-me ao amor que imprime um sentido à vida, que não se submete às leis físicas da natureza, que nos ajuda a crescer e não conhece barreiras de qualquer espécie. Refiro-me ao triunfo do ser humano sobre o egoísmo e sobre a
morte.
«Está abanar a cabeça? Não acredita nisso? Ah, não sabe do que eu estou a falar? Não me surpreende; comigo acontecia algo semelhante antes de conhecer o seu pai. Espere até ouvir a história que há quatro anos tenho para lhe contar e logo ficará a perceber o que quero dizer. Só lhe peço que tenha um pouco mais de paciência. Está a fazer-se
tarde e seguramente sente-se cansada da longa viagem. Eu, pela minha parte, tenho de poupar forças; peço-lhe que não leve a mal se agora a deixar. Se não vir inconveniente, encontrar-nos-emos aqui de novo amanhã, à mesma hora, nesta mesa e nesta casa de chá. Foi aqui... se me permite acrescentar... que encontrei o seu pai e, para ser inteiramente franco, foi nesse banco em que agora está sentada que ele se instalou e começou o seu relato, e eu sentei-me aqui, neste preciso lugar, maravilhado e, bem entendido, incrédulo e confuso... tenho de o admitir. Nunca ouvira ninguém contar histórias como ele. Será possível as palavras terem asas? Deslizarem no ar como borboletas?
Terão elas o poder de nos arrebatar e de nos transportar para um outro mundo? De nos abalar como as forças da natureza abalam a terra? Serão capazes de abrir as gavetas mais secretas da nossa alma? Não sei se as palavras por si só o conseguem mas, aliadas à voz humana, sem dúvida, Julia, e o seu pai nesse dia tinha uma voz como porventura só temos uma vez na vida. Ele não contava, cantava, e, embora apenas falasse em sussurro, não houve ninguém nesta casa de chá a quem não viessem as lágrimas aos olhos só pelo seu tom de voz. As frases que proferia depressa se transformaram em história e a história em vida, expressando toda a sua força e magia. O que ouvi fez de mim um crente como o seu pai.
«“Não sou religioso, e o amor, U Ba, o amor é a única força em que verdadeiramente acredito.” Foram estas as palavras do seu pai.

2 comments:

Lyani said...

Gostei da dica, parece realmente um bom livro :)
bjos

Femme Fatale said...

=) parece-me bem
Obg pela dica