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Sunday, November 1, 2009

1 de Novembro


"Não gosto do dia 1 de Novembro. É e sempre foi o dia que mais detesto em todo o ano. Pudesse eu adormecer a 31 de Outubro e acordar apenas dia 2 era óptimo. Quando era mais nova detestava este dia pelo simples facto de a minha mãe nos arrastar para o cemitério o dia todo, a olhar para uma campa exageradamente enfeitada... só de pensar nisso até tenho uma visão do inferno. Detesto a hipocrisia que ronda este dia. Não preciso que seja dia 1 de Novembro para me lembrar de quem "me foi roubado". Sinto essa dor diariamente e não apenas um dia por ano. Detesto o desfilar de pessoas que se embalam em conversas de circunstância como se não tivessem outro sitio para o fazer. Detesto as criancinhas a correr de um lado para o outro, que desejavam estar em qualquer lado menos naquele E quando em dada altura e de olhar matreiro queimam seus dedinhos nos inúmeros Cirios que se encontram acesos por todos os cantos e esquinas? Detesto este dia e tudo o que ele significa. Eu não quero crer que as pessoas que amo ali estão. Não estão não. Ali infelizmente para além de um bocado de mármore, frio, exposto, encontra-se apenas o que resto do corpo de quem amamos. Mas a verdadeira esseência da pessoa, está conosco, está nas recordações que temos delas. Tenho a minha crença, obviamente que tenho. E vou lá todas as semanas assear o espaço que é dedicado a quem me foi querido. A maior parte das vezes ignoro que o seu corpo se encontra lá (ou o que resta dele), naqueles momentos em que lá estou o meu pensamento está nos momentos vividos. Muito mais além daquele pedra fria em que toco, das flores que semana após semana vão murchando. Gosto de lá ir, mas porque gosto mesmo, e não apenas porque existe um dia no calendário que assim "me obriga a ir". De todos os dias do ano este é o que não me apetece mesmo nada passar lá perto. Mas irei, tal como todos os anos passados. Irei, contrariada, mas irei. Bela"

10 comments:

Carla said...

Percebo perfeitamente a tua exposição à questão, sem duvida que o dia de hoje é um arrastar aos cemitérios. Eu como cresci longe da "terrinha" foram muito poucas as vezes que passei pelo mesmo, mas lembro-me perfeitamente dos momentos, entrava com o maior respeito porque as pessoas que lá "se encontravam" eram chegadas a mim, mas com as quais ou nunca tinha conhecido, ou não me lembrava delas, o que me deixava um pouco estranha.

Hoje já não é assim, lá se juntaram outras pessoas que como bem disseste nos foram roubadas, e acaba por ser diferente mas sempre com o mesmo respeito.

Besos*

Girl in the Clouds said...

Realmente é um dia um bocado mauzito, com estas histórias dos cemitérios......E, um amigo meu que faz hoje anos.....que rico dia para nascer...

PAC said...

É mesmo muito hipocrita imporem-nos dias para lembrarmo-nos de quem partiu, dias para lembrarmo-nos da família ou dias para lembrarmo-nos de quem gostamos.
Penso que deviamos ter a capacidade de hibernar (como os ursos!!!) e assim não passar por estes dias.

the bloom girl said...

Somos duas. Odeio este dia e há tanta mas tanta falsidade nele. Pessoas que estão o ano todo sem lá meter os pés e depois vão lá só para verem e serem vistas, com a melhor das suas roupas (como se fossem para um festa), as campas enfeitadas com as flores mais caras que a florista tinha, mas que depois durante todo o ano, estão enfeitadas com flores de plástico, é tão triste e acima de tudo uma falta de respeito por quem lá está.

beijinho

Miguel said...

Eu não detesto este dia. É-me indiferente. Nem ligo. De resto concordo basicamente com o que dizes.

Esta coisa de haver dias para determinada coisa... faz cada vez menos sentido!

Se ignorares essas coisas, vais ver que será um dia igual aos outros...

Beijinhos

Brown Eyes said...

Bela concordo com tudo que aqui deixaste dito. Não precisamos de um dia no calendário para nos lembrarmos de quem amamos de quem foi importante para nós. Os cemitérios eram para mim visita obrigatória quando conhecia uma cidade. Nunca soube porquê tinha esta atracão. Um cemitério conta muitas histórias de um povo e eu sentia-me ali em paz. Deixei de o fazer. Hoje visito apenas quem me é querido, não me importa em que data, hoje não fui lá. Detesto hipocrisias e neste dia é o que mais se vê nos cemitérios. Beijinhos

FAQ(er) said...

Os outros não importam.

Libelinha said...

Não entro em cemitérios... As poucas vezes que o fiz foi no enterro dos meus entes queridos. Apenas visitei o lugar no primeiro Dia do Pai que passei sem o meu... Não gosto de ir lá!... Não preciso de ir lá para me lembrar de quem me foi "roubado"!...

Beijinhos ;p

Maria Anjos Varanda said...

Estou contigo...
Concordo com tudo o que disseste, e para mim neste dia há muita hipocrisia.

Beijos e boa semana

Demóstenes said...

Eu tenho uma outra visão da coisa.

E acho que é uma questão de aceitação das regras do jogo. Dói? Certamente. Mas não poderia ser doutra maneira.