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Wednesday, December 16, 2009

15 anos

"Every year, the memories I have of my father become more faint, unclear, and distant. once they were vivid and true, then they became like photographs, and now they are more like photographs of photographs."
Nicole Krauss (The History of Love)

"15 anos sem ti. 5475 dias sem ti, mais dia menos dia. A dor é a mesma. Continua enclausurada cá dentro. Tem dias que é fácil, tem dias que é difícil, as saudades são imensas, a ternura de te ter tido na minha vida eterna. Onde quer que estejas sei que olhas por mim. Às vezes ainda sinto a tua presença, ouço passos que me parecem os teus, sorrisos que me fazem lembrar o teu. Mas não são. Diziam-me que o tempo cura tudo, não cura não. O tempo ameniza, esconde, mas não passa. Nunca irá passar. Tenho saudades tuas, muitas. Hoje mais do que nunca. Bela"

Quero partilhar convosco um texto que escrevi em inglês sobre o meu Pai num dia em que estava mesmo triste. Desculpem ser em inglês, mas foi assim que foi originalmente escrito, pareceu me que se o traduzisse perdesse um bocado da essência.


Escrito em 09 de Outubro de 2009
"I have lost my father when I was 19 years old. Until that age I never have thought about death. I always had the feeling that my parents would only die when they were very old. I have never conceived the idea that one of them was not going to see me grow, to see me change from a girl to a woman. Life can be hard sometimes. We are never ready to face something like death. That moment in my life has changed me forever. You may not believe me, but I guess that it has changed me for better. Since the moment death takes someone from you, you face life with other meaning. Sometimes with anger, sometimes with sorrow, even in your most happy moments you are a different person. I have changed. Changed in so many ways. I was full of dreams that I had to postpone because I had then other commitments, for instance, with my mother, my sister that was only 12 years old. I guess that since that day I feel that I have been baring the weight of the world in my shoulders. It is not easy to be the one to be put in the front line, the one to face everything that has been appearing in our life. It has been almost 15 years. 15 years without his smile, without the sound of his voice... it is too much time. There are days when your pain is unbereable, days when you miss him so much that you feel your heart bleeding. On the other hand, there are those days when you remember the sweetest moments together, and in those days you feel a courage to face everything and keep fighting. A day like today.... Bela"

9 comments:

Libelinha said...

Não sou muito boa a ler inglês mas desta vez percebi tudinho!... As tuas palavras descrevem bem o sentimento das ausencias das nossas vidas... Nossas... Da tua e da minha... Pois sabes bem que também perdi o meu... Que saudades!...

Beijinhos ;P

art.soul said...

muitos parabéns Bela, está lindo o texto. como a maioria dos teus textos, aliás.
muita força e acredita, as pessoas nunca desaparecem quando alguém as sente assim, ficam para sempre.
também eu sinto o meu avô...
beijo grande

Brown Eyes said...

Bela todos devíamos ter tempo para crescer mas, não é assim. Tu foste obriga a ter responsabilidades quando ainda só querias sonhar. Como dizes não se esquece quem se ama nem que passem sem anos depois da morte. A morte muda a nossa visão da vida, tudo fica mais real e damo-nos conta do valor da nossa vida e deixamos de perder tempo em coisas superfulas. Afinal vale a pena viver cada minuto, amanhã não sabemos se cá estaremos.
beijinhos

Poetic GIRL - BELA said...

Libelinha, é mesmo que saudades.. e ainda mais se me parte o coração ao ver a minha mãe nestes dias.

art.soul, a gente quando ama mesmo sente sempre não é? a presença, como se estivessem ali ao lado

Brown eyes, é mesmo assim. Se as pessoas pensassem antes de perder tempo com ninharias, dariam com certeza mais valor á vida.

diz q disse said...

Como eu te percebo querida!!!!!
Sabes bem o porque de dizer isto e sabes bem q te percebo, mas como já te disse, ele onde quer q esteja, quer q sejas feliz....por isso toca a trabalhar pra lhe fazeres a vontade ;)

Beijo

Anonymous said...

Olá Bela, eu de certa forma também tive começar a ter outras preocupações que não tinha antes de ter dado um AVC ao meu pai. Mas com isso acho que cresci, tive que aprender algumas coisas que era o meu pai que fazia e acho que me tornei mais humano. No que diz respeito à morte, morreu um tio meu em Outubro, ele tinha ajudado bastante a mim e ao meu pai durante este ano. Tanto em levar-me até à estação para apanhar o comboio, como numa fase em que o meu pai ficou como uma febre inexplicável e como eu estava em Lisboa era ele que o levava ao hospital. Hoje continuo a ter saudades dele, relembro algumas conversas que tivemos e é assim que de certa forma ele continua vivo dentro de mim.

Beijinhos

Pedro Ferreira

Brown Eyes said...

Bela QUE ERRO IMPERDOÁVEL "SEM ANOS" meu deus!!!!
CEM ANOS, vê o que dá a pressa.
Beijinhos

Poetic GIRL - BELA said...

Diz que disse, sim temos isso em comum não é? beijos

Pedro, estas coisas fazem-nos crescer não é? Mesmo que seja á força, mas acabamos por crescer... bjs

Brown eyes, nem tinha dado por ela! lol, deixa lá, acontece... bjs

cantinhodacasa said...

(...)Sometimes with anger, sometimes with sorrow, even in your most happy moments you are a different person.(...)

Completely right.
I felt and lived the same feelings when I was 29 and my mother died. She was 52.
My parents had six children. I am the third.
I became the mother of my youngest brothers, 15 and 19.
My oldest brothers a man and a woman died in 2004 and 2008
and my father died 3 months ago.
It´s hard to accept death but at
the same time we learn how to deal
ilness.Life is a merry-go-round and the only thing we have to face is our own life with hope.
You have a very good English.
That´s the reason I said before I should read Jane Austen's books.

Kiss