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Sunday, January 31, 2010

Mundo Moderno

"Vivemos num mundo onde a cada dia a tecnologia tem vindo a conquistar cada vez mais o seu lugar. Um mundo onde todos os dias são inventados "gadgets" que nos facilitam a vida e muito, onde o muito do trabalho manual passou a tecnológico. Cada vez mais dependemos dessa tecnologia para as mais pequenas coisas, sejam de carácter pessoal ou empresarial. Sou definitivamente uma pessoa adepta de tecnologias, e não canso de me surpreender com o que o ser humano é capaz de realizar, desenvolver. O que me assusta um bocado é a dependência nesta tecnologia, o que estamos a perder a nível pessoal para estes mesmos "gadgets". Eles são telemóveis, computadores, leitores de mp3, câmaras digitais, e-books, enfim um sem número de utensílios que foram inventados para nos servir, cada um com o seu propósito. Acho que no uso excessivo destes pequenos utensílios acabamos por perder bastante a essência que era descobrir novas coisas por nós mesmos. Embora também eu seja dependente de alguns deles, nomeadamente o telemóvel e o PC existem alguns deles que realmente me questiono se não irá perder-se alguns dos valores/ hábitos ao longo do tempo. Com a chegada por exemplo dos novos e-books, as pessoas irão deixar saber qual a sensação de tocar a lombada de um livro, de sentir o cheiro das folhas, de se sentarem confortavelmente no sofá com o livro no colo. Por mais tentadora que a tecnologia seja eu não me imagino a substituir os meus livros por um aparelho frio nas minhas mãos. Um livro será sempre um livro, nunca poderá ser substituído por um objecto electrónico. Há sensações que a tecnologia nunca nos irá permitir, e quem é apaixonado por livros jamais se renderá aos ditos ebooks. Já os audio books também não me seduzem mas nesses encontro um aspecto útil do ponto de vista das pessoas invisuais que infelizmente não podem ler um livro. O mesmo sinto em relação ás fotografias, existe sensação melhor do que segurarmos um algum de fotografias nas nossas mãos, virando página após página? As fotografias digitais só lhes vejo utilidade por serem mais fáceis de ver o resultado, podermos facilmente tratá-las digitalmente antes da impressão. Mas a verdade é que acabo por as ter arquivado, raramente sucumbindo á vontade de as rever. Não me dá o mesmo prazer vê-las no ecrã que dá senti-las nas minhas mãos.
A tecnologia veio de certa forma fazer com que as nossas atitudes se mecanizassem de muitas e variadas formas. As pessoas já não convivem tanto, ocultam-se por detrás dos seus monitores, comunicam artificialmente. Preferem mandar emails, mensagens escritas a ouvir a voz da pessoa do outro lado. Predomina o sucesso das redes sociais que nunca substituirão o prazer de estarmos com amigos numa mesa de café, rodeados de boas gargalhadas e boa conversa. Recuso -me a ficar dependente dessas mesmas ferramentas. Uso-as claro, como a maior parte das pessoas que passou a usar estas tecnologias, mas recuso -me a viver na dependência delas, muito menos abdicar de contactos pessoais por contactos virtuais. Imagino que no futuro isto terá tendência a piorar, não vejo nos nossos adolescentes a capacidade de sonhar, de arregaçar as mangas e viver as coisas sem a dependência que os mundos virtuais provocam. Cada vez mais as pessoas estão adeptas do que é fácil, esquecendo-se o que é lutar por alguma coisa ou alguém. No meu dia a dia lido bastante com a camada jovem, vejo a dependência electrónica que têm, o consumismo excessivo, a procura sempre da melhor novidade a que sucumbir. No meu tempo queria lá eu saber dessas coisas, queria era sair com os amigos, dar boas gargalhas, em vez de estar enfiada entre quatro paredes em frente a um ecrã. As tecnologias tornam-nos pessoas frias, distantes, que se escondem por detrás das mesmas, nos tornam impotentes perante o mundo tecnológico que nos engole. Se traz algumas mais valias nomeadamente na rapidez com que a informação circula, as tarefas que são mais rápidas e eficazes, também nos traz a perda de alguns valores. Somos acima de tudo seres emocionais, que precisam de contactos físicos e que as tecnologias nunca poderão substituir. E se queremos que no futuro os nossos filhos não sejam robots desprovidos de emoções, devemos contrariar um bocado o avanço na tecnologia, principalmente quando esta tenta substituir valores que nunca poderá substituir. Um abraço é sempre um abraço, um beijo é sempre um beijo, uma mão é sempre uma mão e não há tecnologia que consiga superar isso. "Bela

9 comments:

Nuno Dias said...

O grande Marshall Mcluhan já nos dizia que as novas tecnologias são uma prótese ao ser humano.É evidente que no passar dos anos, nos vamos sentir muito mais dependentes das novas tecnologias e isso já se está a observar nas crianças da nova geração. Nascem já no meio deste ambiente. E isto "corta-lhes" a imaginação e a independência de pensar por eles próprios. Por consequência, torna-os muito mais vulneráveis aos mass media e às ditas novelas da moda. Enfim...

art.soul said...

adoro papel
adoro receber cartas no correio, adoro enviá-las
nada substitui o prazer de ler um livro, desfolhando página a página...

estou contigo!

cantinhodacasa said...

" Preferem mandar emails, mensagens escritas a ouvir a voz da pessoa do outro lado".


Dou tudo por escutar a voz, quando é aquela de mais gostamos de escutar...e não só.

Inteiramente de acordo com o conteúdo deste post.
Sempre, o abraço, o beijo, o carinho.
Sempre o livro.
Sempre o contacto humano.


Beijinho

cantinhodacasa said...

*que mais...


Desculpe a falha

Pinkk Candy said...

Sim, a tecnologia tem avançado de uma maneira assustadoramente rápida!
Tem as suas coisas boas e as suas coisas más! MAS, como bem dizes há coisas que nunca vão mudar :)

XOXO

Poetic GIRL said...

Nuno: é essa dependência que me assusta... bjs

Art.soul: acredita nada melhor que podermos tocar nas coisas, cheirar... adoro livros novos, a sensação de passar a mão por eles... bjs

Cantinho: também prefiro ouvir a voz, mil vezes a voz... bjs

Pink Caddy: a tecnologia faz falta, eu sei quantas coisas melhoraram por conta da tecnologia. Assusta-me é que controle as nossas vidas sociais... bjs

Girl in the Clouds said...

Apesar de aderir a muitas tecnologias, o e-book também não é para mim!! Gosto de livros!!

Brown Eyes said...

Bela concordo com tudo o que disseste e acho até perigoso a influência que a tecnologia começa a ter nas pessoas. Namora-se com quem não se conhece, pela net, fala-se, criam-se amizades com quem nada se sabe. Depois vêem as decepções que deixam as pessoas de rastos. Querem, assim, acabar com a solidão e criar auto-confiança. Não é o caminho certo. Fotos, livros, ao vivo dão outro gozo. Tactea-los dá-nos prazer. Beijinhos

Ana said...

se me tiram os meus livros entro em histeria... odeio odeio de morte e-books....

ja o meu mp3, não posso viver sem ele, sem a minha música atrás de mim para todo o lado.

tudo tem o seu lado positivo e negativo. é uma questão de equiloíbrio...

beijinhos.