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Tuesday, January 12, 2010

Um país de faz de conta...

"O país que vivemos é um País de faz de conta. Um país onde paga o justo pelo pecador. Onde quem vive uma vida certinha, contribui mensalmente com as suas obrigações com o país e quando mais necessita dele este país bate-lhe com a porta na cara. Revolta- me estas situações, onde é um jogo, que apenas quem realmente não move uma palha para o país seguir em frente, é recompensado com todas as ajudas possíveis e imagináveis. Imagine-se uma situação de uma aluna que entrou recentemente no ensino superior. Aluna essa que antes de se decidir por tentar um futuro melhor, trabalhou cerca de dois anos num shopping. Contribuiu para este país. Contribuiu para sustentar outros tantos que se encontravam desempregados, com preguiça, ou quiçá menos afortunados. A familia desta aluna é uma família honrada, mas infelizmente não muito bafejada pela sorte no que respeita á saúde. Tanto o pai, mãe, e irmã mais nova sofrem de doenças crónicas. O único sustento da casa é o subsídio de desemprego do Pai, que devido ás constantes complicações de saúde foi dispensado do seu trabalho. A mãe essa já não trabalhava pois precisa de cuidar da irmã de 13 anos que tem complicações graves de coração e precisa de cuidados intensivos. Pois bem esta aluna candidatou-se ao ensino superior, entrou, decidiu arriscar uma vida melhor. Solicitou ajuda ao estado claro, para poder fazer face ás despesas que tinha, tendo sido colocada em Leiria. Foi-lhe atribuído uma bolsa. Até aqui tudo justo, não seria o facto de que esta aluna já ter sido chamada três vezes á Acção Social para justificar como os pais conseguiam sobreviver com 500€ mensais. Foi - lhe dito que a qualquer momento a sua bolsa poderia ter que ser revista e ela ver-se obrigada a devolver o montante que eles consideram excessivo. Escusado será vos dizer que esta aluna apresentou relatórios médicos, apresentou comprovativo dos medicamentos consumidos em casa. Apresentou tudo isso. E ainda lhe perguntam como os pais dela sobrevivem? Sabem qual foi a resposta dela? "Sobrevivemos graças a uma boa gestão por parte da minha mãe, sobrevivemos graças á caridade alheia de quem nos oferece inclusivé os alimentos mais básicos, pessoas que nos estendem a mão, sobrevivemos graças a isso, porque se fosse graças ao estado, estariamos irremediavalmente perdidos". Esta aluna é minha prima, acreditem que as condições que mencionou quando se candidatou á bolsa são inteiramente verdade. Não como muitas bolsas que são atribuídas a quem não necessita. Isso sim é revoltante, mas neste País apenas se suspeita de quem precisa mesmo não é? É preciso provar, por A+B que por vezes não temos comida para colocar na mesa, que se conta os euros todos, não sendo gasto nenhum euro em coisas superfulas. Foi - lhe sugerido que a familia se candidatasse ao rendimento mínimo, mas avisaram logo que receberia menos de Bolsa. Claro que a escolha de estudar foi dela, sabia que iria abdicar de um emprego num shopping onde não teria por onde evoluir. Será condenável isso? Claro que não o é, admiro-a até porque teve coragem de assumir isso, mesmo vendo que iria exigir muitos sacrificios dela e da familia. Este país dá com uma mão, mas arranja forma de tirar com a outra. E quem precisa que faz? Engole em seco e continua em frente. Nada mais resta a não ser isso. E ontem que foi anunciado um incremento para ajudar as universidades a aumentar o número de alunos, eu pergunto, é para realmente quer, ou apenas para quem pode? Pois quer - me parecer que neste País só pode estudar quem tem um apoio familiar estável por trás. Todos os outros são suspeitos de querer enganar o estado. E isso não é justo, porque não somos todos iguais. E há realmente quem precise, e muito! Bela"

P.S. Peço desculpa pelo tom, mas estou um bocado zangada com isto tudo!

11 comments:

Libelinha said...

Estás zangada, revoltada e com muita razão!!!... Fico furiosa quando vejo estas injustiças!...

Desejo a melhor sorte para a tua prima!...

Beijinhos ;P

Girl in the Clouds said...

Um País de Injustiças, onde a igualdade de oportunidades é pura ficção!! E, depois ainda há aqueles que não fazem nada e tem aquele subsídio do estado....
Beijinhos

Daniel said...

Olá,
passei pela mesma situação qd estava na universidade. Não tinhamos rendimentos praticamente nenhuns, e o processo da minha bolsa ficou pendente até que lá fosse explicar como justificava sobreviver e suportar as despesas nessas condições. Lá consegui convencer a senhora que mesmo quase sem dinheiro, fazendo uma boa gestão, vivendo sem luxos e com ajuda de pessoas conhecidas para alguns alimentos e roupa usada, é possivel ter uma vida normal.

Por acaso ainda à pouco estava a falar com uma pessoa que estava a dizer que não precisava de muito dinheiro, bastavam-lhe 3 mil euros mensais para fazer a vidinha dele. Depois de já ter vivido com menos de um décimo daquela quantia, achei aquilo uma falsa humildade.

Acho que as pessoas se habituam ao estilo de vida e ao dinheiro que tem independente do número de zeros. Uma com mil, não entende como alguem vive com cem. E uma com 10 mil, não entende como se vive com mil.

Acho que o problema em particular deste país é a discrepância enorme de salários, que vem da mentalidade atrasada de considerar umas profissões mais importantes que outras. O senhor engenheiro não faz nada de palpável pela sociedade, enquanto o senhor trolha e o senhor varredor contribuem para a qualidade de vida da comunidade. Mas no final é o primeiro que leva a(s) reforma(s) gorda(s).

Loucuras de e por amor said...

Infelizmente é o País que temos!É pena serem ajudados só aqueles que não precisam, muitas vezes fecham os olhos a conhecidos e amigos, porque infelizmente este País começou a ser um País de interesseiros, tudo é feito por interesse! É pena, porque se todos trablhassem como deveria de ser, e se todos nos preocupassemos mais em ajudar aqueles que mais precisam tudo funcionaria de maneira diferente e seriamos todos bem mais felizes!
Kisses

Poetic GIRL said...

Libelinha, é mesmo de se ficar revoltado. Já quando o meu pai faleceu, se a minha mãe não se tem imposto não tinhamos ajuda nenhuma. Não pode ser! Isto tem que mudar, bjs

Girl in the clouds, mas é mesmo. Quantos e quantos usufruem desse subsidio sem realmente necessitar. É revoltante... bjs


Daniel, sei bem que tu, tal como nós sabemos o que é contar o dinheiro ao fim do mês não é? bjs

Loucuras de e por amor; bem vinda!Cada vez mais as pessoas olham apenas para o seu humbigo... bjs

cantinhodacasa said...

Olá. Tem toda a razão para estar zangada.
Há muitas famílias que vivem bem, têm empregos cujo rendimento é declarado mínimo e conseguem apoios , subsídios e ainda se gozam de dizer que têm isto e aquilo.
Sou professora, sei do que falo.
Lamento que este país, anda à deriva, que o povo continue a aceitar a política de governo que te, e que os corruptos contiunem a gozar com a nossa cara.
Dê todo o apoio à sua prima, e o que tiverem de "mover" , nem que para isso tenham de recorrer à Presidência da República, não deixem isso nas mãos de quem se está borrifando para as famílias.
(Eu sei de um caso, não tão grave porque ela vai ganhando razoavelmente, mas cujos filhos são orfãos de pai e não recebm nada de pensão de sobrevivência).
E a pessoas en questão resignou-se ao silêncio, por medo.~

Beijinho

Brown Eyes said...

Bela quem não se revolta? Como dizes e bem "...mas neste País apenas se suspeita de quem precisa mesmo não é? " Quem precisa, os pequenos, têm que provar tudo e mais alguma coisa. Enfim, um país de injustiças. Isto precisa mesmo de uma volta. Os trafulhas estão imunes e têm direito a tudo os outros além de não terem direitos ainda os pisam. Eu estou convencida, tenho a certeza que passou a dar-se valor a quem não o tem. Dá-me a impressão que têm medo de quem tem mérito e quem é inteligente por isso querem destruí-los tirando-lhes a dignidade. Se fosse jovem acredita que emigrava. Este país vai dar o berro. Beijinhos

Poetic GIRL said...

Cantinho da casa: Eu também passei por isso quando o meu pai faleceu, mas a minha mãe lutou por tudo a que tinha direito... não nos podemos calar! bjs

Brown eyes: Já pensei tantas vezes em emigrar. Mas os meus pais foram emigrantes e lá fora também nem tudo são rosas. bjs

Poetic GIRL said...

Cantinho da casa: Eu também passei por isso quando o meu pai faleceu, mas a minha mãe lutou por tudo a que tinha direito... não nos podemos calar! bjs

Brown eyes: Já pensei tantas vezes em emigrar. Mas os meus pais foram emigrantes e lá fora também nem tudo são rosas. bjs

Nuno Dias said...

Não é preciso ir muito longe. Eu passei todo o meu tempo de Universidade com bolsas mínimas e bem via pessoal com muitas mais poses a terem bolsas superiores. tenho muito pena pela nossa prima, mas esta é a nossa realidade. Só espero que isso não a deite abaixo e que continue com o seu sonho. :(

Poetic GIRL said...

Nuno: Ela não vai abaixo! Afinal é nossa prima, e desistir não existe no nosso vocabulário! bjs