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Thursday, February 11, 2010

Uma questão moral?


"Sou uma pessoa consciente da minha moralidade, tenho os meus valores e sou regida pelos mesmos. Sou muito leal, seria incapaz de uma traição para quem merece toda a minha consideração. Por isso neste momento encontro-me num dilema moral, dividida entre me manter fiel aos meus princípios, ou então "trair" a confiança em mim depositada. Como já vos disse o meu vínculo laboral tem 14 anos, 14 anos na vida de uma pessoa é muito tempo, criam-se aqueles laços que não se conseguem desatar de ânimo leve. Mesmo que por vezes me queixe, me dê a vontade de sair e bater com a porta, sei que nunca o faria de ânimo leve, porque o que me agarra aqui é muito mais do que um ordenado, é um pedaço grande de mim que está aqui dentro. A minha ética hoje foi balançada, o meu dever moral encontra-se em dúvida. Que fariam se tivessem sido contactados pelo "maior" concorrente da empresa que fazem parte, para um convite de tomar um café e conversar? Se por um lado me sinto lisonjeada por ver que o meu trabalho é reconhecido de tal forma, que a concorrência sabe o que significava para a minha empresa me perder sinto por outro que estou a trair a minha entidade patronal. Sinto curiosidade em saber a proposta, saber os valores. Talvez me desse uma noção do que poderei andar a perder. Mas porque sinto o meu coração apertado, sinto que estou a atraiçoar as pessoas que confiam em mim? Porque sou tão moral, porque não sou mais prática? Porque os sentimentos em mim tomam controle sobre a razão? Hoje nem consigo olhar meus chefes nos olhos, um sentimento de culpa me invade. Que fazer? Contar da proposta, ir ver o que o outro me tem para oferecer, ocultar isso, ou abrir o jogo de uma vez? Para mim o facto de ter um encontro com a concorrência pelas costas dos meus chefes já me parece um acto de traição. Conheço-me, não conseguiria viver bem com isso. Estou sem sentido, sem saber que fazer. Já se sentiram assim? Mas porque estas questões aparecem na minha vida? Estava tão tranquila, agora está tudo de pernas para o ar, a minha cabeça rodopia ao som dos SES que me invadem. Pergunto-me se a minha lealdade será reconhecida, se realmente ao agir moralmente será o acertado? E se isto fosse uma mudança em minha vida? Não sei mesmo que fazer. Não sei. Poderia me aproveitar desta situação para tentar melhorar a minha posição aqui na empresa, mas terei coragem para tal? Não estava á espera que de um dia para o outro a minha vida ficasse balançada. Eu não procurei nada, as coisas vieram ter comigo. Mas tenho a sensação que esta nova empresa também esteja a usar-me para de certa forma aniquilar a presença da nossa empresa no nosso mercado. E eu não gosto da sensação de ser um joguete nas mãos dos outros, não gosto. Bela"

12 comments:

Libelinha☆ said...

Calma!... Acho que deves abrir o jogo com os teus chefes!... Contar-lhes da nova proposta e deves ir ver essa nova proposta sem compromissos!...
E não te estás a aproveitar da situação para melhorares o teus posto na empresa!... Apenas serás reconhecida!...

Beijinhos ;P

PS: podes estar a perder uma grande oportunidade!... Seja ela qual for... De ser reconhecida na tua empresa ou de passar para a concorrencia!...

Eva Gonçalves said...

Esse é uma questão muito melindrosa, nos tempos que correm. penso que podes ir ao encontro de consciência tranquila...não estás a fazer nada contra a empresa onde trabalhas. por outro lado, mal recebas alguma proposta em concreto, deves informar a empresa, e logo vês... o que decides. Mas não t culpes, estás apenas a zelar por ti, e se fores correcta, ninguém te levará a mal. Mas só deves falar alguma coisa, depois de uma proposta concreta... senão arriscas-te a ficar sem nenhuma proposta e ficar mal vista na empresa... Não é uma questão moral, em si, mas de ética no trabalho. Seja como for, não estás a trair a empresa, nem a esconder nada, pois não tens nada que dizer até teres... :) boa sorte, whatever you do :) beijinhos

Pedro Vitorino said...

Experiência própria...não tens que dizer...apenas ao fim de ouvires o que têm para te dizer! E, nisso, podes confiar...

Di said...

Se sabes que não consegues viver com isso, então conta. O teu bem estar acima de tudo! Explica-lhes que recebeste o tal convite e que vais encontrar-te com eles. Nem que seja por cortesia. Se eles te fizerem uma proposta irrecusavel, sinceramente o que eu faria era falar com o meu chefe para saber se ele consegue dar-me o mesmo que os outros dão. Se não, mudava. A mudança é algo natural e desejável em qualquer campo da vida... Pensa nisso :)

Lala said...

Não minha querida, não é uma questão de moral. É uma questão de decidires o que é melhor para ti. Trabalhos há muitos. Se o convite te chegou, só mostra que tens valor e que no mínimo estás a ser reconhecida (ainda por cima pela concorrência). Quando subimos na vida com trabalho, esforço e honestidade ninguém nos pode apontar o dedo, nem podemos ter receio de ferir os demais. Se fores sincera vais ver que só terás a ganhar.
Esta é apenas a opinião da Lala, nada mais.
Portanto, se fazes favor, vai tomar o teu cafézinho descansada e sem peso na consciência, até porque não estás a "enganar" ou "trair" ninguém. Nem tão pouco estás a ser desleal! Depois de saberes o que pretendem e o que têm para te oferecer, decides o que fazer. Mas depois do café, eu optaria sempre por ser sincera e contar à entidade patronal o sucedido. Fosse qual fosse a decisão.
Eu repito: esta é só a minha opinião!

Beijinho** e boa sorte!!

cantinhodacasa said...

Olá. É terrível isso. Contudo, não deves perder a oportunidade de ouvir o que têm para te dizer.
Depois, dizes que vais reflectir.
~Vês os prós e os contras, e para não traíres a empresa onde trabalhas, dizes a verdade. Independentemente da decisão que tomares.
A verdade e só a verdade.
Mas não deixes de escutar quem tem uma proposta a fazer.

Boa sorte.
Beijinho

Helga said...

Na minha humilde opinião, creio que sem saberes o resultado desse convite para café, não deves dizer absolutamente nada, até porque não tens nada para dizer. Só depois disso poderás decidir e ponderar o que é melhor para ti, profissionalmente e pessoalmente. Não acho que ao aceitares esse convite, estejas a trair ninguém.

Beijinho :)

Girl in the Clouds said...

Podes aproveitar a situação a teu favor, quem não queixa fica sempre na mesma!! kiss

Ética no Trabalho said...

Não deves perder oportunidades que te batem a porta pois como disseste, não foste atrás dela mas ela veio ate à ti. Contudo, tens um vínculo laboral para com a empresa em que trabalhas e ela consequentemente para contigo, por isso deves agir de forma honesta, para com a empresa que te acolheu e te dá segunrança profissional até hoje. O mais justo na minha opniáo seria honestidade, que é e sempre será sempre a escolha certa, ser honesta para com os patrões e ponderar a posição deles, a tua e a da empresa interessada. Há de ter em conta a ética profissional de cada um e o que seja melhor para ti.

Brown Eyes said...

Se há uma ligação grande chegas ao pé do chefe e contas o convite que te fizeram e, se pretendes ir, dizes que vais ver o que pretendem de ti. Vais, ouves e no fim se a proposta do outro for melhor, chegas e contas ao teu chefe o que se passou e o que pretendes fazer. Assim não há traição e não ficas toda a vida a pensar como seria se tivesses ido. Não achas? Beijinhos

Nuno Dias said...

É sempre complicado! Mas ouvir a proposta, não faz de ti o maior dos traidores. Mas, até que ponto essa empresa tá segura no mercado? A tua já dura 14 anos. Tens de ser racional na tua decisão.

Miguel said...

Acho que deves ir ouvir o que têm para te dizer, primeiro que tudo.

Depois:
* promessas não custam nada;
* que credibilidade tem essa nova empresa?
* O que ganhas hoje está dentro que que é justo (nunca será o que gostarias...)
* Pagam-te o que podem ou era justo e poderiam pagar-te mais?
* reconhecem o teu valor, o teu trabalho?
* achas que os problemas que tens aí não terias no novo emprego?
* e estabilidade? Terias mais? Menos? Menos compensava a diferença, eventual, de ordenado?

Há muita coisa a pensar.

És tu que tens de medir tudo. Mas falar, quer com a outra empresa, quer com a actual, nunca fez mal a ninguém...