Pages

Wednesday, May 19, 2010

Serei Cigarra? Serei Formiga?


"Conhecem a história da Cigarra e da formiguinha? Eu sou uma espécie de formiguinha, armazena tudo na eventualidade de um dia vir a fazer falta. Não sei se devido á educação que tive, sempre aprendi a dar valor a cada coisa que tenho e ter sempre uma visão de antecipação do futuro. Tudo na "eventualidade de um dia..." poder vir a precisar. Tal qual formiguinha, vou armazenando, armazenando, custando-me imenso me desfazer de coisas que penso "poderem vir a fazer falta". Considero - me uma pessoa poupada, preocupada com o meu futuro, porque nunca se sabe o dia de amanhã, certo? Mas por vezes penso se esta será a postura correcta pois posso estar a me privar de coisas agora que mais tarde não sei se as poderei ter, por este ou por aquele motivo. Não é muito bom estarmos sempre a tentar antecipar o futuro, nos tentarmos precaver, porque ele não pode ser planeado, Ele acontece e pronto. Mas conforta-me saber que na eventualidade de algumas coisas correrem muito mal eu tenho aonde me agarrar, não ficando completamente à mercê das vicissitudes da vida. Mas sei que a vida é muito para além desta vidinha de formiguinha, que trabalha, trabalha, trabalha. Colho, sim é verdade, olho para os frutos da minha colheita e penso para comigo: Uau consegui isto tudo com o meu esforço! Mas em contrapartida olho para a cigarra e vejo que a vida dela me parece muito mais tentadora. Menos preocupada. Isto de ás vezes querermos viver fechados na nossa concha, protegidos ou precavidos de tudo não tem muita piada. Acabamos por não ter o prazer que podíamos ter. Claro que tenho os meus momentos de cigarra, momentos despreocupados em que me desprendo deste meu lado de formiga e me rendo aos prazeres desta vida. Posso talvez até afirmar que serei 50% cigarra, 50% formiga. O que eu queria dizer com isto, que apesar de não dar totalmente importância ao dinheiro, nem aos bens materiais que posso comprar com eles, o meu lado formiga me faz estar alerta para o que o futuro poderá reservar. Quantas vezes antes de comprar o que quer que seja me pergunto a mim mesma se me irá realmente fazer falta. A maior parte das vezes não faz. Então o meu lado formiga obriga-me a pousar o objecto de desejo, enquanto que a cigarra espuma de raiva. Outros dias acontece o contrário. Por isso devemos encontrar um ponto de equilíbrio entre ambos os lados. Nem podemos ser demasiado uma coisa, nem a outra. No meio termo estará o equilíbrio. Mas nunca me esqueço que "mais vale prevenir que remediar..." Bela

14 comments:

Eli said...

Aqui, também é um bocado a razão versus sonho...

Poderemos sonhar racionalmente?

:)

Ana said...

À medida que ía lendo este texto só me lembrava da palavra "equilíbrio" e foi onde foste dar também. Acho que essa é a fórmula correcta, sem dúvida. Hoje em dia, cada vez mais se torna uma necessidade ser-se formiguinha, por todos os motivos que já sabemos. Mas acho que também é importante para a nossa saúde mental manter viva a cigarra que existe dentro de nós. Sem esses pequenos prazeres - não só o comprar isto ou aquilo, mas também o ir jantar fora, fazer uma pequena viagem, cuidar de nós - os sacrifícios que fizermos irão parecer-nos demasiado penosos.

beijinhos

Cor do Sol said...

Eu só sou formiga nas coisas de trabalho, guardo tudo porque posso vir a precisar. Na vida sou muito cigarra, vivo muito o hoje. Sou do género do "amanha logo se vê" e sei bem que isso também não é bom.

Beijo

izzie said...

Mais coincidências boas :)

Beijinho,

Patty said...

Acho que já disse aqui que vivo o dia a dia, mas claro que tenho o lado da formiguinha se não, não conseguiria sobreviver.
Temos de ser qb, para conseguirmos viver.
Obrigada por teres aceite o meu pequeno desafio.
Bjocas
Patty

Girl in the Clouds said...

Nem mais. Também sou um pouco assim. Bem vi agora nas minhas arrumações, a quantidade de coisas que tinha guardado e a dificuldade em deitar fora!
Eu também acho que devia ser mais equilibrada em relação a pensar no futuro!

Poetic GIRL said...

Eli:até nos sonhos a razão nos aparece! bjs

Poetic GIRL said...

Anna: Sim é mesmo isso que penso. Se bem que há alturas que entro em pânico e aí nessas alturas me culpabilizo um pouco pelo lado cigarra, mas a verdade é que não podemos viver nesse medo não é? bjs

Poetic GIRL said...

Cor do Sol: És capaz de aproveitar mais do que quem pensa o contrário. Porque pelo menos vives! bjs

Poetic GIRL said...

Izzie: Sim mais coincidências! bjs

Poetic GIRL said...

Patty: É temos que achar o ponto de equilibrio não é? E ás vezes pensar demais também não ajuda! bjs

Poetic GIRL said...

Girl in the clouds: Esse equílibrio encontras depois no dia a dia, no fundo saberás encontrar o meio termo. Ser-se só formiguinha também é deixar a vida passar e não gozar. bjs

Lala said...

Eu cá acho que a minha Formiga e a minha Cigarra, em tempos, andaram de candeias às avessas... foi então que arranjei uma caixinha de fósforos, enfiei a formiga e a cigarra lá dentro e disse-lhes: "Hellooooo! Dá para se orientarem???? É que assim, a D. Cigarra papa tudo o que a D. Formiga planta... Lá que vocês estejam zangadas e de costas voltadas uma para a outra, tudo bem, mas não me lixem senão ficam fechadas dentro dessa caixa de fósforos para sempre e eu arranjo outras parceiras!!! Entendido??"
Elas sem mais, fizeram as pazes, apertaram as patinhas, como um aperto de mão e lá se equilibraram...! É claro que a D. Cigarra teve que ficar uns tempos de jejum, para equilibrar as coisas... de vez em quando dava-me música, mas eu cá não me deixava tentar! Depois tudo se equilibrou. A D. Formiga gosta mesmo de trabalhar e até prescinde das patinhas da D. Cigarra, portanto, continuamos com a velha máxima: Enquanto a Formiga trabalha, a Cigarra canta... para dar alento à Formiga (claro)!!!

Beijinhos**

Poetic GIRL said...

Lala: Bem o teu comentário está fabuloso! adorei querida, nada a acrescentar. bjs